domingo, 4 de fevereiro de 2007

Na vida ou da vida?

Raros são os momentos em que me sinto livre para sentar e escrever. Já disse algumas vezes que só consigo escrever quando estou sozinho. Completamente sozinho. Apenas as janelas abertas, para a luz entrar. As janelas da casa e as minhas próprias janelas.
Não sei se dá pra entender, mas é como se fosse um ritual.

"O que você faz de bom da vida?" me perguntaram ontem. Foi uma pergunta que me fez pensar um bocado depois. Não é "O que você faz de bom na vida?". É bem diferente. Não é simplesmente estar vivo e fazer algo que deixe a sua vida com sentido, como se ela fosse uma despensa. É quase o inverso. É como se a vida fosse uma dádiva e ela quem dá o sentido para se estar vivo. A vida passa a ser a personagem principal e o sentido, o coadjuvante.
Responder a "O que você faz de bom da vida?" talvez seja mais complicado. Não é dizer o que você estuda, no que você trabalha ou o que você gosta. A pergunta é: Que porra você está fazendo da sua vida? Quais os caminhos tem escolhido? Já deu risadas hoje? Já amou tanto que parecia não poder guardar tudo dentro de si? É saber, perceber e dar valor às pequenas coisas. Então vai lá. Por que como já diziam, a vida está aí para ser vivida. Nós quem escrevemos nela.

Talvez o meu choque tenha sido perceber que não ando fazendo muito do que planejei. Não seja como eu, não deixe de tentar mudar e não se esconda: Viva.

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