sábado, 24 de fevereiro de 2007

A janela

Quando a maioria dos meus sonhos ainda habitavam os meus pensamentos, num lugar onde se sentir livre era muito mais simples do que viver, eu escrevi isso:

"A madrugada é acolhedora, feito canto de casa ou abraço de mãe. É nela que as imperceptíveis amarras são desatadas e os pensamentos fluem na imaginação.

Gosto dessa sensação de estar só no mundo. Enquanto as pessoas dormem eu fico aqui, sentindo o frio e essa brisa peculiar. Agora eu faço mais parte de tudo.
É nessa hora que gosto de deixar a minha janela aberta, deitar na cama e olhar o céu. Na minha playlist aqueles músicas que fazem o corpo viajar até onde minha visão pode alcançar. No alto, na lua, nas estrelas, onde quer que seja que eu queira ir, eu posso. Eu posso voar. Todas as direções apontam pra um único caminho. Então eu pulo de estrela em estrela e sento na Lua. De lá tudo é tão pequeno e simples. A vida é uma mágica, feita de friozinhos na barriga, e arrepios de pele daqueles que a gente tem poucos mas deveria ter muito mais. Lágrimas e sorrisos têm a mesma essência e ambos são do mesmo lugar: meu coração.
Percebendo essas coisas, apenas deito sobre meu destino e deixo ele me levar, na mesma nota em que o vento sopra, no mesmo andamento do meu próprio mundo.
Eu quero tudo! Mas... Meu tudo é tão pouco! Eu não quero uma casa grande e nem uma pequena casa que não tenha uma cama para a minha janela, minha liberdade. Por que eu quero ser apenas um suspiro, que do momento que existe, já se foi. Para qualquer lugar, desde que haja algum.
Na real, só quero a janela. Pode ser até num viaduto ou solta no ar, ela só tem que existir. Para apoiar-me sobre os cotovelos e olhar lá em cima. Tirem-me tudo, menos a minha janela.
Arranquem, mas nunca esse meu pedaço. Meu coração pulsa no mesmo instante em que o vento chega com a noite, e a noite, chega com minhas esperanças. Por que as vezes nós guardamos tantas coisas aqui dentro, e poucas coisas/pessoas podem abrir essa janela... Algumas vêem um paraíso, outras preferem ver um deserto. Mas a questão não é o que as pessoas podem ver olhando para os seus olhos: É o que você deixa elas verem atráves deles.

Tem gente que tem porta, outras uma caixinha de correio, mas todos temos um caminho para nós mesmos. E sempre tem alguém que sabe chegar até ele. Então, se você já encontrou essa pessoa, nunca a perca!

E cá estou eu com vontade de dizer que amo tudo mundo de novo. Blá, como eu sou molenga. =) "

André Sant'Anna, em 13/02/2005.

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