sexta-feira, 2 de maio de 2008

Independência

Quando fiz um ano de idade já ia ao banheiro sozinho. Aos três era totalmente independente (dentro daquilo que se pode esperar de uma criança, é claro). Tomava banho, me trocava, comia, entre outras coisas que crianças nessa idade não fazem normalmente. Aos seis anos tomava ônibus para ir a escola. Lembro-me do primeiro dia até. Era dia de sol, não havia ninguém comigo e o ônibus estava vindo. Ele passou. Eu estava paralizado. Naquela época eu tinha vergonha até de falar. Sabe-se lá por que, não levantei a mão para dar sinal. Voltei pra casa desolado e mamãe me deu uma bronca. Chorei. No outro dia fui convicto do que tinha de fazer e fiz.

Aos dezoito tive certeza do que queria fazer para o resto da minha vida (no dia do meu aniversário, inclusive). Foi a primeira vez que subi num palco e de lá de cima soube qual o caminho que queria trilhar. Não demorou muito pra eu perceber quão difícil seria. Não só pela dificuldade técnica em si mas por ter que enfrentar a desconfiança das pessoas mais próximas, a falta de apoio e dinheiro. Durante os últimos cinco anos foram inúmeros desapontamentos. Acho que qualquer pessoa já teria desistido depois de ouvir as coisas que já ouvi, de passar pelos problemas de dinheiro que passei (e ainda passo) e de perceber que as pessoas que deveriam nem sequer acreditam em mim. Admito que, também por inúmeras vezes pensei em ir fazer outra coisa. Mas algo maior me mantém "aqui" (talvez seja a burrice?). O que tenho a dizer é simples: Desde pequeno eu sei o que quero. E dentro daquilo que quero constam pessoas que me fazem bem e que querem ver o meu bem.

Ser independente é parte de mim. Até demais e isso talvez seja um problema. E que fique bem claro que não é desapego, é independência, deveras diferente. No mais, sou apenas um cara tentando ser feliz fazendo aquilo que gosta e tentando ter aqueles que gosta ao seu lado.

Até.

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