Adianto que não sei como o post vai terminar. O começo é este mesmo, inspirado e muito protelado até que tivesse tempo (ok, é mentira, tô deixando de estudar para escrevê-lo, mas foda-se) suficiente para escrever. Um tempo só meu.
Devido ao alto índice de horas gastas no transporte público diariamente, e, não capaz de ler qualquer outra coisa com tudo tremendo a minha volta, fico inventando explicações mirabolantes para as minhas frustrações e fracassos e por que não, para as dos outros também. Não satisfeito, dedico parte desse tempo me torturando imaginando os "como seria se...". Faço-me entender em breve.
O conceito de perfeição aqui é: Aquilo que tem que ser do jeito que a gente quer/espera que seja.
Perde-se muito tempo querendo o momento perfeito, a hora perfeita, o dia perfeito, [adicione o que quiser aqui] perfeito. Felizmente, entendi logo que a busca da perfeição pode tornar as coisas mecânicas demais. O inusitado, o erro, o inesperado pode, ao invés de ser o tempero, o inesquecível, ser o que faltava pra derrubar todas as peças do dominó enfileirado cuidadosamente. Seria mais fácil apenas viver as coisas como elas acontecem, sem querer que tudo saia, sempre, perfeito. A tão sonhada perfeição interfere na busca do par, do casamento, até da foto que você tira! Seria tudo mais simples se não houvesse expectativa alguma, ou, se não enfileirássemos o dominó. Idealizar é relegar aquilo que pode ser ótimo, ser bom. Viver querendo a perfeição é perder a parte boa da vida. Está embutido aí um conceito de aceitação que é díficil de desenvolver. Aceitar o não-perfeito pode ser a porta para aceitar o simples, a assimetria, a diferença.
A expectativa pode ser um veneno. E o amor, ao meu ver, torna-se inversamente proporcional as expectativas. No fundo, idealizar e esperar (no sentido de expectativa) é não saber aceitar a diferença. "Por que as coisas darão certo se forem assim e assado". Por que não pode ser simplesmente do jeito que é e ponto? Acredito que as chances de um relacionamento dar certo é muito maior se você não espera que ele seja perfeito. Se não se pode aceitar e, quem sabe até amar, a diferença, definitivamente não dá pra conviver a vida toda ao lado de alguém. Tolerar é possível, mas sabe-se lá por quanto tempo! Portanto, o amor seria, então, inversamente proporcional ao tempo. E, conforme o tempo passa, o amor vai se dissipando... São as cobranças sobre aquilo que deveria ter sido e não foi, as expectativas frustradas e decepções, o fim de um ideal. Será que alma gêmea (ou seja, par perfeito) só existe para aqueles que não tiveram tempo de descobrir o contrário (onde a relação foi interrompida abruptamente)?
Ama-se loucamente aquele que não se conhece direito? Aquilo que foi perdido cedo demais? Aquilo que não foi até o fim... A alma gêmea faz parte do ideal também...
O par perfeito pode ser qualquer pessoa que consiga nos aceitar do jeito que somos e vice-versa!
Não estou dizendo que é fácil. Tampouco sei se consigo também. O fato é que de certo seríamos mais felizes e sofreríamos menos. Talvez tudo o que disse é que seja ideal demais. Sei lá...
Entre o ideal e o real o que fica é a decepção incomôda e dolorosa. A tristeza...
Às vezes é preciso curtir a tristeza, sabem? Tem que ter coragem para cair e ficar lá. A verdadeira grandeza não está em fingir que nada aconteceu mas em saber encará-la de frente. Talvez mais do que isso, talvez seja preciso não só curtí-la e encará-la como também abraçá-la e acolhê-la. E, depois de mergulhar na melancolia de tudo o que aconteceu, deixe-la ir para ser possível prosseguir.
"You're part time lover
And a full time friend
The monkey on the back
Is the latest trend
Don't see what
Anyone can see
In anyone else
But you"
Anyone Else But You - The Moldy Peaches.
Chega, né? É.
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