segunda-feira, 20 de julho de 2009

Há 25 anos atrás

Há 25 atrás, em 17 de Julho de 1984, eu nasci. De parto cesário, não por que eu fosse cabeçudo, embora eu desconheça os reais motivos dessa decisão. A história é que, há 25 anos atrás ou um quarto de século como se pode dizer (só para parecer ainda mais tempo), havia inflação exorbitante para os padrões atuais. Ano das Diretas Já e fim da Ditadura. O principal: Chaves era exibido pela primeira vez no Brasil. Isso sim faz diferença. De lá para cá muita coisa aconteceu. Quem se lembra de que uma linha de telefone tinha valor de um carro? Ou que era necessário muitas notas para se comprar leite (e tinha que esperar na fila). Não havia internet, computador só nos EUA e grandes empresas. A era da Xuxa, embora meu negócio sempre fora a pintinha da Angélica e naquela época os desenhos faziam algum sentido.
Fui da cidade grande à praia praticamente deserta. Uma casa e o mar. Isso explica minha ligação com esse lugar. Da praia deserta ao "interior" dentro da cidade grande. Minha infância, já sinto tanta falta e nem sou Casimiro de Abreu.
Mas um dia o mundo me abriu os olhos e me carregou arrastado rumo a algum objetivo de vida. Até hoje não me é todo claro. Que é que vou ser quando crescer? Por enquanto vou indo, vou indo... Quem sabe um dia eu saberei.
Não quero cair no clichê de falar do que sorri ou chorei. Certamente sorri mais do que chorei, e, às vezes, chorei de rir ou ri depois de tanto chorar. Só queria olhar pela janela e lembrar mais do quanto sorri do que do quanto chorei. E me pergunto, se penso logo existo ou se correto seria lembro, logo existo. De todas as coisas, somos aquilo que lembramos e de como as pessoas lembram de nós. Até o modo de pensar está associado com aquilo que lembramos e lembramos do jeito que queremos: O passado, aquele que realmente está lá atrás, no vago aquarelado das imagens, no adocicado sabor do início dos nossos tempos. Será que de hoje lembrar-me-ei assim daqui a 25 anos?
Nunca me sinto preparado para mais um 17 de Julho. Sempre aparece no meio do calendário, só com o prévio aviso dos dias 15 e 16. Esse ano fizeram questão de me lembrar antes. Não importa, mais um ano se foi. Pode-se fugir de um casamento mas do tempo, não. O tempo é a prisão do mundo que ninguém pode fugir.
Em muitos momentos me senti perdido, outros em que acreditei ter encontrado um caminho mas, também, estava perdido. Isso se aplica a dirigir em São Paulo. Momentos de solidão voluntária e invonlutária. Momentos em que quis pular de uma ponte ou apenas me equilibrar nela, só pra ter friozinho na barriga. Momentos em que acreditei ter encontrado a pessoa certa e momentos em que a mesma pessoa já não era mais. Hoje sei que a pessoa certa sou eu. "Construímos sonhos em cima de grande pessoas. Depois, percebemos que grandes eram os sonhos e as pessoas pequenas demais", dizem. É, deposite seus créditos no seu celular, eu digo.
O que me deprime mesmo é que, não importa onde eu esteja ou com quem eu esteja, a sensação de nunca estar em casa vai e volta. Sabem, lar doce lar. O problema é que não sei se lar é um lugar ou é não ter se perdido de si numa dessas esquinas. Então eu me escondo atrás dos anos que passam, de pensamentos não escritos, de músicas que soam perfeitas só nos meus ouvidos, como essa. Porque algumas coisas só fazem sentido no Fantástico Mundo do André, como já me disseram e quando me dou conta disso, existir parece uma loucura. Só com essa dose de loucura é que dá pra sobreviver, enfim.

Agradeço do fundo do coração àqueles que se lembraram, que telefonaram, deixaram recado, mandaram e-mail, etc. Por mais que eu não seja fã de comemorações no meu aniversário, não quer dizer que não goste de alguma demonstração.

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